Sou Lésbica?
Doze perguntas, escritas por mulheres, para mulheres que estão a descobrir.
É permitido fazer esta pergunta
Para muitas mulheres, “sou lésbica?” é a primeira pergunta para a qual não há um guião pronto. Todas as outras perguntas que nos fazem enquanto crescemos — o que vestir, o que querer, de quem gostar — vêm com uma resposta pré-definida. Esta não. Vais ter de encontrar a tua própria resposta, e isso leva tempo.
Este questionário foi concebido para te ajudar a chegar lá com doze perguntas que podes responder em privado. Baseia-se em temas da escrita de mulheres queer, em padrões comuns que as lésbicas notam em retrospetiva, e no tipo de perguntas que um bom terapeuta faria se entrasses a dizer “Acho que algo se passa.”
Não é um teste. É um espelho.
Heterossexualidade compulsória — o elefante na sala
Se já passaste algum tempo em espaços online de mulheres queer, já ouviste a expressão “comphet”. Vem de um ensaio de 1980 de Adrienne Rich chamado Heterossexualidade Compulsória e Existência Lésbica, e refere-se à maquinaria cultural que treina as mulheres para assumirem que são heterossexuais antes de realmente verificarem.
Comphet parece:
- Escolher o rapaz “menos mau” para ter uma paixoneta na escola primária porque toda a gente tinha um
- Sentir-se mais investida em celebridades masculinas de quem “devias” gostar do que em qualquer rapaz real na escola
- Passar pelos rituais de namorar homens sem nunca sentir a faísca que as tuas amigas heterossexuais descrevem
- Chamar amizades intensas com mulheres de “apenas amigas” porque essa era a única palavra que tinhas
- Pensar que todas as mulheres admiram secretamente os corpos de outras mulheres — e ficar chocada, mais tarde, ao descobrir que não
Se alguma destas te tocar, este questionário será útil para ti. Comphet não te confunde. Treina-te.
Padrões que as lésbicas muitas vezes notam — em retrospetiva
Quase todas as lésbicas assumidas com quem já falei têm uma lista. Coisas que só fizeram sentido mais tarde. Sinais que não sabiam que eram sinais:
- Uma melhor amiga específica na escola primária ou secundária com quem querias passar cada minuto — e sentias-te mal quando ela tinha um namorado.
- Chorar em filmes queer de uma forma que não correspondia bem à trama.
- Estar estranhamente investida em saber se uma mulher mais velha específica na tua vida gostava de ti.
- Dizer a ti mesma que a tua “paixoneta por celebridade” por um homem era real, embora não conseguisses realmente imaginá-lo a beijar-te.
- A forma como o corte de cabelo ou o casaco de uma mulher queer te fazia sentir um aperto no estômago e não tinhas uma palavra para isso.
- Desempenhar a feminilidade não porque a amavas, mas porque pensavas que isso faria a sensação de estar errada desaparecer.
Reconhecimento não é prova. Mas três ou quatro destes assinalados é o tipo de coisa que, no consultório de um terapeuta, levaria a um gentil “conta-me mais sobre isso.”
O que “lésbica” realmente significa hoje
A palavra evoluiu. Costumava significar estritamente “mulher atraída apenas por mulheres”. Hoje, na maioria das comunidades queer, significa “não atraída por homens”. Isso inclui lésbicas atraídas por mulheres e pessoas não-binárias. Inclui lésbicas butch, lésbicas femme, soft butch, stone, lipstick, futch — todos os tipos.
Não exige:
- Nunca ter dormido com um homem
- Nunca ter estado confusa
- Uma história de saída do armário “perfeita”
- Parecer as lésbicas da televisão
- Odiar homens, estar zangada com homens, ou ter tido uma “má experiência” com homens
Podes ser uma lésbica que ainda está a descobrir a palavra. Podes ser uma lésbica aos 16 ou aos 60. Podes ser uma lésbica que só recentemente o percebeu.
Quão preciso é este questionário?
Honestamente? É preciso a encontrar padrões. Não é preciso a dar-te um rótulo, porque nenhum questionário pode fazer isso. Nenhum questionário foi clinicamente validado para identificar a orientação sexual. O que fizemos foi construir as perguntas em torno de temas que as mulheres lésbicas rotineiramente citam como os seus momentos “aha” — e deixar as tuas respostas honestas apontarem para algum lado.
Confia no teu instinto mais do que no resultado. O resultado é um ponto de partida, não um carimbo.
Questionários relacionados
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- Questionário Sou Pansexual? — atração para além do género
Recursos
- The Trevor Project — apoio gratuito em crise para jovens LGBTQ+
- LGBT Hotline — apoio confidencial entre pares
- Adrienne Rich, Heterossexualidade Compulsória e Existência Lésbica (1980) — o ensaio que nomeou a coisa
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre este e o questionário 'Sou Gay?'
Este é calibrado especificamente para a experiência vivida por mulheres e femmes — a forma como a atração por outras mulheres muitas vezes aparece nas amizades de infância, a forma como somos ensinadas a descartar a 'paixão por raparigas' e a pressão cultural para demonstrar atração por homens. O questionário 'Sou Gay?' é de género neutro.
Já estive com homens e gostei. Posso ainda ser lésbica?
Absolutamente. Muitas lésbicas tiveram relacionamentos passados com homens — às vezes longos, às vezes aparentemente felizes. A heterossexualidade compulsória é real, e é especialmente boa a convencer as mulheres de que 'devem' estar a gostar de coisas que estavam a encenar. A experiência passada não te prende.
E se eu também me sentir atraída por pessoas não-binárias?
Muitas lésbicas sentem-se atraídas por mulheres e pessoas não-binárias. A palavra 'lésbica' é cada vez mais entendida como 'não-atraída-por-homens' em vez de 'apenas-atraída-por-mulheres'. Usa o rótulo que te faz sentir em casa — esse é o único critério que importa.
As minhas respostas são armazenadas ou partilhadas?
Não. Tudo funciona no teu navegador. Nada é guardado, enviado ou analisado.
Obtive um resultado que não esperava. O que faço?
Nada, urgentemente. Reflete sobre isso. Anota o que te surpreendeu. Repara se a surpresa parece alívio, negação ou curiosidade. A resposta mais honesta muitas vezes surge semanas depois de parares de tentar resolvê-lo.